LAGOA DO PIATÓ

A maior lagoa do Rio Grande do Norte — alma do Vale do Açu

Há lugares que não são apenas paisagens. São memória. São sustento. São identidade de um povo. A Lagoa do Piató é assim: maior do que qualquer adjetivo consegue alcançar, mais antiga do que qualquer história que se conta sobre ela, e mais viva do que o atual cenário deixa perceber.

Onde fica e o que é

A Lagoa do Piató situa-se no vale do Baixo Assú, no interior da Floresta Nacional de Açu, na margem esquerda do rio Piranhas, com aproximadamente 18 km de extensão máxima e capacidade para 96 milhões de metros cúbicos de água. Localizada na zona rural do município, a lagoa está integrada à FLONA de Açu e é rodeada por comunidades que constroem sua vida às suas margens há gerações.

Sua paisagem — marcante pelos carnaubais e pela beleza cênica da caatinga — é considerada um patrimônio sociocultural, histórico e ambiental do Vale do Açu.

Uma das lagoas mais piscosas do Nordeste

Em seus anos de plenitude, a Lagoa do Piató foi sinônimo de fartura. Já foi considerada uma das lagoas mais piscosas do Rio Grande do Norte, submetida à intensa exploração pesqueira com um núcleo de vida de grande riqueza e diversidade de organismos nos seus diferentes subsistemas. No período chuvoso, a água expandia-se consideravelmente, invadindo as áreas de carnaúbas, possibilitando a integração do sistema hídrico com a paisagem circundante.

A pesca artesanal sempre foi a principal fonte de renda das comunidades do entorno, alimentando famílias e moldando uma cultura própria — com suas canoas, redes, saberes passados de pai para filho e um modo de vida profundamente ligado ao ritmo das chuvas e das cheias.

O Anel da Lagoa: comunidades que vivem da e para a lagoa

Em torno da lagoa estão localizadas comunidades que compõem o chamado Anel da Lagoa do Piató — e a lagoa recebe água em sua maior parte do rio Piranhas-Açu. No total, a lagoa banha aproximadamente nove comunidades rurais, sendo elemento central para a dinâmica social, econômica e cultural de toda essa população.

No entorno da Lagoa do Piató, formações geográficas únicas também chamam a atenção — como morros moldados pela ação do vento e da água. Um deles é o chamado Monte do Velho Adormecido, batizado pelos moradores da região por se assemelhar à silhueta de um homem dormindo, e que se tornou ponto tradicional de visita e fotografia.

Quando a lagoa enche: festa, esporte e vida

Quando as chuvas são generosas e a lagoa retoma seu volume, o Piató se transforma. As águas que voltam trazem consigo alegria, movimento e tradição. As disputas de regata de canoa são um dos momentos mais aguardados pelas comunidades do entorno — uma tradição que une esporte, cultura e identidade sertaneja numa só celebração.

Bares e restaurantes às suas margens voltam a funcionar, visitantes chegam de cidades vizinhas e de outras regiões, e a lagoa recupera seu papel de polo de lazer, convivência e turismo do Vale do Açu.

Um patrimônio que pede cuidado

A história da Lagoa do Piató também é marcada por ciclos de seca. A lagoa encheu em 1912, secou em 1915, encheu novamente em 1924 e assim seguiu por décadas, num ritmo condicionado pelas chuvas do semiárido. Com a construção da Barragem Engenheiro Armando Ribeiro Gonçalves, a atividade pesqueira ficou comprometida, pois o represamento do rio Assú afetou diretamente o volume d’água da lagoa. As altas taxas de salinidade em combinação com elevadas temperaturas e intensa evaporação constituíram os indicadores que melhor traduziram o estresse ecológico do sistema.

Desde meados de 2012, a lagoa encontra-se parcialmente aterrada e com volume de água bastante reduzido. Diante desse cenário, movimentos como o “Lagoa Viva” surgiram para discutir as causas do problema, as possíveis soluções e as responsabilidades pela revitalização e conservação da lagoa — reconhecida como um dos maiores patrimônios da região, em todos os aspectos.

A Floresta Nacional de Açu, que margeia a lagoa, desempenha papel importante ao controlar processos erosivos, amenizar o assoreamento do Piató e contribuir para a recarga dos aquíferos ao permitir a infiltração de água no solo.

Vale a visita — mesmo na seca

Mesmo em seu estado atual, a Lagoa do Piató é um destino que vale ser conhecido e compreendido. Para quem admira formações geográficas, vai ficar verdadeiramente encantado com a paisagem. Para os aventureiros, trilhas ecológicas pela região e o contato com as comunidades ribeirinhas oferecem uma experiência autêntica e inesquecível.

Conhecer a lagoa hoje é também um ato de memória e solidariedade com um povo que sempre viveu de suas águas — e que segue acreditando no seu retorno.

 

Informações Práticas

Localização Zona rural de Assú/RN — Comunidades do Anel da Lagoa do Piató
Extensão máxima ~18 km
Capacidade hídrica 96 milhões de m³
Acesso Via pavimentada + trecho de estrada rural
Comunidades no entorno ~9 comunidades rurais
Integrada à Floresta Nacional de Açu (FLONA)
Indicado para Ecoturismo, turismo cultural, trilhas, fotografia, pesca (quando em nível)

 

A Lagoa do Piató é o espelho d’água onde o sertão se vê. Venha conhecer, respeitar e torcer pelo seu renascimento.

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