O grande rio que deu nome, vida e identidade ao Vale do Açu
Há um rio que atravessa o sertão e transforma tudo o que toca. Que nasce na Paraíba, cruza o Rio Grande do Norte e chega ao mar carregando consigo séculos de história, a força de populações ribeirinhas e a riqueza de uma das bacias hidrográficas mais estratégicas do Nordeste brasileiro. Esse rio tem dois nomes — e ambos dizem muito sobre ele: Piranhas e Açu.
O nome que conta a história
O rio Piranhas–Açu é um curso d’água que banha os estados da Paraíba e do Rio Grande do Norte. Conhecido simplesmente como Piranhas na Paraíba, recebe o nome de Açu após passar pela Barragem Armando Ribeiro Gonçalves, no município de Itajá, pertencente ao município de Assú, no Rio Grande do Norte. Nasce da junção das águas dos rios do Peixe e Piancó, na Paraíba, e após percorrer centenas de quilômetros, desemboca na cidade potiguar de Macau.
O nome do rio vem do peixe piranha-vermelha, que outrora vivia em grandes cardumes pela bacia do Piranhas. Já “Açu” é o termo do tupi para designar “grande” — em referência ao caudal, principalmente durante as cheias. Grande em nome, grande em tamanho, grande em importância.
Uma bacia de dimensões extraordinárias
O rio Piranhas-Açu é o principal rio da bacia hidrográfica Piranhas-Açu, que possui uma área total de drenagem de 43.681,50 km² e beneficia diretamente 147 municípios, sendo 45 no Rio Grande do Norte. A perenidade de seu fluxo é assegurada por dois grandes reservatórios: o sistema Corema-Mãe d’Água, concluído em 1942 na Paraíba, e a Barragem Armando Ribeiro Gonçalves, concluída em 1983 no Rio Grande do Norte.
A Barragem Engenheiro Armando Ribeiro Gonçalves, construída pelo DNOCS e inaugurada em 20 de maio de 1983, está localizada na bacia hidrográfica do rio Piranhas-Açu e abrange os municípios de Itajá, São Rafael e Jucurutu. Com capacidade para 2,4 bilhões de metros cúbicos de água, é o maior reservatório do Rio Grande do Norte — uma obra monumental que redefiniu a economia e o território do Vale do Açu.
O rio que transformou o Vale do Açu
No trecho que banha o município de Assú, o rio Piranhas-Açu exerce um papel transformador sobre a paisagem e a economia local. A Barragem Armando Ribeiro Gonçalves propiciou a perenização do baixo curso do Rio Açu, viabilizando e estimulando o desenvolvimento da fruticultura irrigada — atividade que tornou o Vale do Açu referência nacional na produção de frutas tropicais, especialmente a banana, exportadas para mercados nacionais e internacionais.
O objetivo do açude é o suprimento de água ao Projeto de Irrigação do Baixo Açu. São inúmeros os benefícios gerados pelo Projeto Baixo-Açu, destacando-se sobretudo o aproveitamento hidroagrícola das terras aluviais do vale. Além da agricultura irrigada, o rio sustenta atividades de carcinicultura, piscicultura, abastecimento urbano e geração de energia — pilares da economia regional.
Cultura, tradição e vida ribeirinha
O Rio Piranhas-Açu não é apenas recurso hídrico — é cultura viva. Suas margens no município de Assú abrigam comunidades ribeirinhas que mantêm tradições seculares de pesca artesanal, agricultura de vazante e modos de vida profundamente ligados ao ritmo das águas.
O rio é cenário de lazer e encontros populares: banhos em família, pescarias, passeios de barco e eventos às suas margens integram o cotidiano e o calendário cultural de Assú. As margens do Rio Assú integram os polos do Carnaval municipal, reunindo shows e atrações que animam moradores e visitantes durante os dias de festa.
Existe um significativo potencial turístico ainda pouco explorado no rio e na barragem, que poderia ganhar corpo melhorando a rede de infraestruturas de acesso e a qualificação dos serviços prestados aos visitantes.
Cuidados ao visitar o Rio Açu
O Rio Açu é um ambiente natural vivo, que exige respeito e atenção. A Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Assú e a Defesa Civil alertam para o aumento de relatos de ataques de piranhas no rio. Os incidentes ocorrem durante o período de reprodução da espécie, quando os peixes adotam comportamento defensivo para proteger os ninhos. O descarte de alimentos na água agrava a situação, pois atrai os peixes e altera seu comportamento natural. As áreas próximas à vegetação marginal apresentam maior incidência de ocorrências.
Recomendações de segurança:
- ⛔ Evite entrar na água próximo à vegetação marginal
- ⛔ Não leve alimentos para dentro do rio
- ⛔ Não descarte restos de comida na água
- ✅ Prefira áreas abertas e monitoradas para o banho
- ✅ Consulte moradores locais antes de nadar
O Rio Açu como atrativo turístico
O trecho do Rio Piranhas-Açu que banha Assú oferece experiências únicas para o visitante:
Contemplação e fotografia — a paisagem do rio com suas margens verdes de carnaubais e a imponência das obras de infraestrutura, como a barragem, formam cenários de rara beleza no contexto do semiárido.
Pesca esportiva e artesanal — o rio abriga espécies como tilápia, curimatã, traíra e outras nativas das águas nordestinas, atraindo pescadores de toda a região.
Turismo rural e vivência ribeirinha — conhecer as comunidades às margens do Rio Açu é mergulhar em um modo de vida que resiste ao tempo e às secas, com saberes, sabores e histórias que só o sertão tem.
Passeios e navegação — quando o nível das águas permite, passeios ao longo do rio oferecem perspectivas únicas da paisagem do Vale do Açu.
Informações Práticas
| Extensão total | Centenas de km (nasce na PB, desemboca em Macau/RN) |
| Municípios beneficiados | 147 municípios (45 no RN) |
| Principal barragem | Eng.º Armando Ribeiro Gonçalves — 2,4 bilhões de m³ |
| Localização da barragem | 6 km a montante da cidade de Assú |
| Usos principais | Abastecimento, irrigação, piscicultura, carcinicultura, lazer |
| Indicado para | Pesca, contemplação, turismo rural, fotografia, passeios |
O Rio Piranhas-Açu é a espinha dorsal do Vale do Açu. Visitá-lo é entender por que este pedaço do sertão potiguar é tão fértil, tão resistente e tão cheio de vida.